Esta é uma pergunta para a qual muita gente procura resposta e não a consegue encontrar.Ponce Leão, presidente do Instituto dos Mercados de Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário (Imoppi), tenta resumi-la em dois pontos: 'Esta questão é típica de um país que tem falta de dinheiro e de planeamento.
A solução ideal seria a existência de galerias técnicas por baixo das ruas, onde todas as infra-estruturas seriam instaladas.' Já houve algumas propostas nesse sentido, mas os municípios vivem sempre com falta de dinheiro, pelo que se vai adiando esta solução.
Há já um bom exemplo, no Parque das Nações, onde esse projecto foi implementado com sucesso. Já a falta de planeamento é castradora, porque, não se prevendo a necessidade que os municípios e os particulares possam vir a ter de infra-estruturas, vai-se continuar a asfaltar estradas e passado uns meses parte-se tudo para instalar esgotos, e mais tarde para instalar cabos de telecomunicações, e por aí fora. Há falta de verbas, mas também muita falta de coordenação entre as partes.
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Por que é que nas obras públicas, os buracos na mesma rua são sempre abertos em alturas diferentes?
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
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Por que é que é tão difícil acertar no Euromilhões?
domingo, 7 de dezembro de 2008
A Matemática diz que é cerca de 5,5 vezes mais fácil acertar no Totoloto do que no Euromilhões. A probabilidade de um jogador com uma só aposta ganhar o primeiro prémio do Euromilhões é de apenas 0,0000013%.
A chave é constituída por cinco números e duas estrelas, a partir de um conjunto de 50 números e cinco estrelas.
Para cada uma das 2 118 760 chaves numéricas possíveis há 36 combinações de estrelas, perfazendo 76 275 360 hipóteses diferentes!
Para ganhar o primeiro prémio é preciso investir 152,5 milhões de euros, preencher 15,2 milhões de boletins e esperar que não haja mais vencedores.
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Se os portugueses não lêem, por que é que a Fnac é um sucesso?
sábado, 6 de dezembro de 2008
Francisco Vale, da Relógio D'Água Editores, diz que os portugueses lêem, mas pouco. E acrescenta: 'Não creio que só por si a rede da Fnac tenha alterado os hábitos de leitura dos portugueses.
O que as Fnac ganharam, outras perderam.' Segundo Enrique Martinez, director-geral da Fnac Portugal, há quem não compre livros, quem não leia, há consumidores.
'O sucesso da Fnac em Portugal prende-se sobretudo com a liberdade de acesso de todos às áreas de cultura em geral e aos livros em particular, disponibilizando a maior oferta editorial a preço acessível.'
Manuel Valente, da Asa, afirma que 'o crescimento do público leitor fez-se, sobretudo, pelas franjas mais comerciais ou ligeiras, e isso, de certo modo, explica o êxito da Fnac. As pessoas que não entravam numa livraria local 'sagrado' por excelência entram agora calmamente nas lojas Fnac'.
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Por que é que o orçamento e o prazo das obras públicas sofrem sempre derrapagens?
O famoso: 'Já agora...' é uma das razões. Mas há mais. 'As mudanças a meio do projecto, a má orçamentação inicial e a desresponsabilização das entidades contratantes e contratadas em relação a essas derrapagens', afirma Luís Rocha Antunes, sócio e director do departamento de capital markets da Cushman & Wakefield.
Pedro Rutkowski, director-geral da Worx Real Estate Consultant, acrescenta que tudo começa com estimativas orçamentais e calendarização de obra optimistas, e raramente respeitadas.
Também a incompetência de alguns empreiteiros atrasa as obras e empata capitais e meios humanos.
De igual modo, a falta de stock de materiais e equipamentos, de que padecem os construtores, condiciona a finalização das obras.
s prazos de entrega são muito dilatados. E às vezes confrontam-se com problemas que deviam estar previamente acautelados. Para além destes motivos, há um que parece soar mais forte.
A opinião é unânime e Pedro Seabra, director-geral da CB Richard Ellis, dá-lhe voz: 'O Estado é mau gestor.'
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Por que é que os anunciantes concentram tanto investimento no último trimestre do ano, quando há tanto ruído nos meios?
Porque coincide com o momento das compras de Natal e com um aumento das receitas mensais (13.º mês). As marcas associadas a momentos de consumo específicos ou ao lançamento de novos produtos ligados a promoções têm pouca margem de manobra.
'É o período em que temos sempre mais marcas a comunicar, mas não necessariamente mais pressão publicitária', explica Luís Mergulhão, CEO do grupo de agências de meios OMG. O ruído é outra questão.
Por natureza a televisão, a rádio e o outdoor têm o mesmo espaço disponível todo o ano. Só na imprensa há alterações, pois aí a publicidade tem um custo industrial que faz oscilar o número de cadernos de cada edição em função das páginas de publicidade.
Diz Maria João Peixe Dias, directora de publicidade da Edimpresa (detentora da EXAME): 'Os anunciantes preferem investir nessa altura, mesmo sabendo que os anúncios são às centenas, porque, de facto, eles vendem mais nessas alturas.'
Por exemplo, Agosto é o mês em que algumas revistas têm o maior pico de vendas, mas é dos meses em que os anunciantes menos investem, porque sentem que o consumidor está sem apetência para comprar.
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Por que é que os noticiários televisivos sobre a Bolsa passam de manhã, quando ninguém vê?
Os principais responsáveis pelos três canais generalistas preferem colocar a questão de outra forma. Para António Monteiro Coelho, director de relações exteriores da TVI, 'é pela manhã, enquanto as pessoas se preparam para ir para o trabalho, que faz mais sentido passar esta informação'.
Segundo dados da Marktest, no período entre as 7 e as 10 horas o universo de pessoas que vê televisão é de cerca de 270 mil.
A RTP concentra o maior número, com uma audiência média de 36,8%, seguida da SIC e TVI, que partilham uma fatia de 32,7%.
É durante este período que a estação pública tem no ar o programa Bom Dia Portugal e a TVI o Diário da Manhã, ambos com informações bolsistas actualizadas. No entanto, parece existir um paradoxo.
É a classe D que preenche a maior quota das audiências. A classe A/B, que abrange os indivíduos com maiores rendimentos, é a que tem menor peso durante o período analisado: cerca de 15,1% na RTP, 15,3% na SIC e 11,5% na TVI.
No fundo, são os telespectadores com menores rendimentos que mais consomem os noticiários matinais.
E estes não correspondem ao perfil típico do investidor na Bolsa.
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Por que é que os políticos falam tanto e fazem tão pouco?
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Uma parte fundamental do sucesso na carreira política é dominar as técnicas da oratória e da retórica. Ou seja, convencer as pessoas, de forma tão inequívoca quanto possível, de que algo (um investimento, por exemplo) tem uma determinada dimensão e papel, geralmente fulcral, e cujos contornos são tal e qual como os apresentam.
No entanto, a tentativa de alcançar um determinado objectivo, e convencer as pessoas de que tudo correu bem, pode conduzir à tentação da mentira.
Como disse à revista Veja o director do Instituto de Ciência Cognitiva e Psicologia da Universidade de New England, David Livingstone Smith, 'a mentira traz vantagens indiscutíveis', sublinhando que 'os políticos são mentirosos profissionais'.
Feitas as contas, fala-se mais do que se faz. Mas também se faz muitas coisas sem que, por vezes, as pessoas se dêem conta.
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Se o Brasil tem tanto potencial, por que é que a PT perde lá dinheiro?
É verdade que o Brasil é um país de oportunidades e a PT teve visão quando investiu por lá. Mas as condições de mercado mudaram muito desde o investimento realizado em finais dos anos 90.
A PT não está adequada à dimensão do Brasil, e tem de acompanhar os investimentos do parceiro na Vivo, a Telefónica. Pedro Lino, presidente da Dif Brokers, afirma que, apesar de a Vivo ter avançado com algumas inovações, como a introdução dos pré-pagos, está a perder terreno.
Neste momento a Vivo é a única empresa com tecnologia CDMA, concorrente da europeia GMS, e utilizada nos Estados Unidos. Os telemóveis para o CDMA são mais caros do que os terminais de GSM e muitos clientes optaram pelos outros operadores.
A Vivo afirma que apenas perdeu 0,4% dos 28 milhões de clientes que tem no Brasil, mas o mercado cresceu 20%. Nos primeiros nove meses de 2006, o prejuízo da Vivo foi de 320 milhões de euros. Agora, a PT já está a migrar para GSM.
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Por que é que tantos presidentes e directores-gerais apregoam mudanças, mas vestem-se todos de igual?
Para Isabel Amaral, especialista em protocolo, 'o vestuário faz-nos pertencer a uma tribo. Os presidentes e directores-gerais vestem-se de maneira a que não haja dúvidas sobre a tribo a que pertencem.
Por isso, não creio que o facto de se vestirem todos de igual signifique resistência às mudanças. Denota, apenas, pertença ao grupo, ou à tribo, dos que mandam.
Ou seja: não se trata de dizer que não querem mudanças. Trata-se apenas de afirmar que são eles que as decidem'. Além disso, 'eles não se vestem todos de igual.
Há que analisar com atenção os pormenores, os acessórios (gravatas, botões de punho, relógios) e outros detalhes', acrescenta. Por outro lado, Isabel Amaral frisa que 'para se tirar conclusões mais correctas é preciso vê-los também quando, mudando de vestuário, usam a roupa das outras tribos a que também pertencem'.
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Por que é que empresas que são lucrativas e alegadamente responsáveis pagam vencimentos abaixo de 750 euros e empregam gente a recibos verdes?
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Responde Jorge Marrão, partner da Deloitte: 'A divisão entre lucro e salário é uma visão desajustada do século XIX. Se uma empresa reduzir lucros para compensar os colaboradores, parecendo socialmente responsável, pode estar a mostrar aos accionistas que há melhores sítios para investirem.
A médio e a longo prazos, tal pode conduzir a mais desemprego. A ética empresarial e as leis são para cumprir.
Mas havendo quem vive o desespero do desemprego, empregar a recibo verde pode ser mais responsável do que não empregar de todo'.
Qualquer vínculo, diz, 'pode e deve ser contratualizado, protegendo ambas as partes. Apenas se devem assumir vínculos que ambas as partes possam cumprir'. Mas vários analistas afirmam que muitas vezes se recorre abusivamente a recibos verdes como substituto precário dos contratos.
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Por que é que as empresas pagam dividendos e bónus e, ao mesmo tempo, despedem pessoas para cortar custos?
domingo, 2 de novembro de 2008
Não sendo perfeito, o actual sistema é, talvez, o que permite melhor equilíbrio entre as partes. Não distribuir dividendos é ser 'despedido' pelos accionistas da empresa.
Não pagar bónus aos gestores, por mérito, pode significar despedir os melhores líderes, com consequências nefastas para todos.
Despedir pessoas necessárias à organização é irresponsabilidade dos gestores, mas acaba por ser resultado do facto de o próprio consumidor não estar disposto a suportar o preço que as empresas transportariam para o cliente final caso não ajustassem receitas e custos. Todavia há que reconhecer que os de modelos de governação e de avaliação têm de evoluir.
Nem sempre os accionistas e os colaboradores são adequadamente tratados pelos gestores.
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Por que é que os portugueses são tão pessimistas e gostam de partilhar o que vai mal?
sábado, 1 de novembro de 2008
Os portugueses são pessimistas porque, de forma geral, as coisas não lhes correm bem, tendo como referência o que se passa no resto da União Europeia.
'O pessimismo é a consciência, correcta e realista, de que estamos na fila de trás na nossa área geocultural. Se os portugueses não fossem pessimistas, eram estúpidos', ironiza Manuel Villaverde Cabral, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
'A comparação com a União Europeia começou por ser lisonjeira, quando se dizia que estávamos a recuperar. Mas, na realidade, desde Maastricht, em 1992, saímos cada vez mais a perder.
Não é de crer que os mesmos partidos que nos colocaram nesta situação, o PS e o PSD, nos possam tirar de lá. Não nos teriam posto num buraco se fossem capazes de fazer uma coisa diferente.
É doloroso, injusto e revoltante perceber que os nossos filhos não irão viver tão bem quanto as gerações anteriores.' Pior: em Portugal discute-se o que vai mal porque é assunto público, passa pela política, economia e sociedade, e é vivido por todos. O que vai bem é pessoal, e não há razão para ser partilhado.
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Por que é que quem paga mais impostos também paga mais em vários serviços públicos?
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
A Constituição da República consagra a defesa de uma sociedade justa e solidária. É por isso que a tributação do rendimento assenta no princípio da progressividade: quem aufere mais contribui com uma parcela maior.
Mas 'o sistema fiscal luso faz uma distinção importante entre impostos e taxas', nota Margarida Ramos, manager da área fiscal da Deloitte.
Os primeiros são uma prestação pecuniária unilateral (não há uma retribuição directa por parte do Estado), obedecendo ao princípio da capacidade contributiva.
Já as segundas são prestações bilaterais (resultam da prestação concreta de um serviço público), que seguem o princípio da proporcionalidade, isto é, devem ter em conta o valor do serviço prestado pelo Estado a cada pessoa em concreto.
Daí as questões que se levantam sobre a constitucionalidade das taxas moderadoras na saúde. Como assentam na capacidade contributiva dos utentes, ou seja, o seu valor depende dos rendimentos que estes auferem, não deveriam ser considerados impostos? Ora, legislar em matéria de impostos é competência da Assembleia da República, e não do Governo.
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Por que é que as casas em Portugal são tão caras?
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Por causa da especulação do preço dos terrenos, dos espanhóis, da lentidão e da carga fiscal. O valor dos terrenos a urbanizar aumentou muito nos últimos sete anos. Na Avenida da Liberdade, por exemplo, o metro quadrado era vendido por 600 a 800 euros, hoje chega aos 2 mil.
'Por causa da especulação imobiliária, e porque a maioria dos terrenos de dimensão ou localização apreciáveis se encontra nas mãos de meia dúzia de entidades fortes que ditam os preços de mercado', afirma Pedro Rutkowski, director-geral da Worx.
A culpa também é dos espanhóis. 'A falta de capacidade de investimento das PME portuguesas faz com que sejam os espanhóis a liderar as operações', justifica.
Outra questão é morosidade dos processos de construção. O tempo que passa, entre a aquisição de um terreno, a obtenção das licenças camarárias e a construção é longo e imprevisível. Os valores investidos e o empate de capitais tornam-se imprevisíveis, e o consumidor final paga esse custo.
A carga fiscal, que chega a atingir 20% do valor da promoção, é outra justificação. O IVA, que é recuperável em Espanha, não pode ser deduzido pelo promotor em Portugal.
Quem paga a factura é, portanto, o comprador. Mas é tudo relativo. Segundo Luís Rocha Antunes, sócio e director do departamento de capital markets da Cushman & Wakefield, as casas em Portugal são caras ou baratas consoante o mercado comparativo.
'A descida das taxas de juro e a facilidade de crédito fazem as prestações descer; logo, a compra é mais agressiva. Por outro, o facto de os bancos facilitarem, como estender o prazo dos empréstimos, tem ajudado muito a subida de preços', contrapõe. A culpa não morre solteira, neste caso.
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